Páginas

Mostrando postagens com marcador prefeitura de sp. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador prefeitura de sp. Mostrar todas as postagens

03 julho 2011

Para onde vai a nossa educação?

Agora será um super desabafo, de uma professora de artes do ensino público do munícipio de SP. Os que me conhecem sabem que eu sou designer e bailarina antes de ser uma professora, e decidi dar aulas por seu uma idealista e hoje me vejo uma romântica, porém... em um ano nessa área não me vejo mais assim. Estou desanimada e buscando novos horizontes.

Como sou professora de design no Senac, tenho outras experiências e consigo comparar e ver diferenças que me fazem buscar a carreira acadêmica. Mas de um modo geral, no Brasil, para onde vai a nossa educação?

A realidade é dura! As respostas amargas!

Falarei da minha realidade, da escola municipal de SP, situada na periferia, no bairro do Jaraguá. Hoje, os alunos não querem aprender, os professores são polivalentes e a instituição escolar parece mais uma instituição assistencialista do que uma escola.

A EMEF Estação Jaraguá foi entregue em fevereiro desse ano, é uma escola nova mas já com muitos problemas: vazamentos nos banheiros, piso muito mal escolhido por parecer que a escola está sempre suja, bebedouros com problemas, sem cota de cópias pros professores, sem material básico para artes e ed. física, maçanetas e fechaduras quebradas, cadeiras para os professores e administrativos de péssima qualidade e o encosto já estão quebrando, sala dos professores sem mesa (fizemos uma gabiarra), sem copa para os professores, armários de péssima qualidade que estão desmontando, e etc.

Estamos trabalhando sem verba desde o início do ano!

Uma escola entregue em fevereiro desse ano, funcionando sem um puto! Já sofremos com diversos problemas e tem mais estes! A entrega é só para constar "Mais uma escola entregue" no currículo do Kassab na sua propaganda política!

Temos que fazer festas e eventos para arrecadar dinheiro, porém na minha opinião cabe ao Poder Público esse compromisso.

Essa é a nossa realidade: alunos desinteressados, professores desanimados, escolas sem verba.

Os professores, pelo menos da onde eu trabalho, são motivados, com um currículo de excelência, com ótimas atividades mas o nosso público é ingrato. a maioria dos pais e dos alunos não valorizam a educação e eles possuem outras aspirações, como por exemplo: ser operador de telemarketing!

Numa sala de 35 alunos, apenas uns 5 ou no máximo 10, são interessados e já caminharão sozinhos, nós professores temos um felling pra isso, sabemos quais serão aqueles que farão uma boa faculdade e terão uma carreira de sucesso.

Espero que eu erre, e desejo que todos tenham uma vida brilhante!

Ainda tem a inclusão... que para mim é um descompromisso do governo perante a população! É impossível Todos Serem iguais! Todos somos iguais sim, mas há aqueles com necessidades diferentes e devemos supli-las para que essas pessoas não sejam excluídas da sociedade.

E é isso que está acontecendo. Além de ensinarmos, (não gosto do termo educar, porque essa função cabe à família e não ao professor), temos que ser psicólogos, assistencialistas, vendedor de pastel nas festas, decoradores, faxineiro e etc.

Desculpe o desabafo, mas é necessário todos saberem disso! Eu faço de tudo para ser apenas uma professora, que é o cabe à minha função, porque nem decorar ou fazer objetos decorativos eu faço. Artes não é apenas isso.

Eu não vejo o momento de fazer meu mestrado, doutorado e ter um grupo de alunos mais interessados. Me realizo com alguns, com as turmas do senac mas desejo muito mais que isso

28 maio 2010

Experiências na sala de aula

Preciso muito falar de algumas experiências minhas, como professora de arte, e que estão sendo muito legais. Legais mesmo! Além de ser professora universitária e de curso técnico, sou professora de Fund 2 da Prefeitura de São Paulo, e apesar de todos os problemas: carência, falta de respeito e educação dos alunos, super lotação e etc... de qualquer forma até trabalho numa boa escolha, onde os diretores me incentivam e não deixam ficar desanimada e sou idealista e acredito que posso plantar sementinhas... que no futuro, o que eu ensinar fará alguma diferença na vida deles.

E a Arte te esse poder!

Iniciei um trabalho, com as oitavas e já parti para as quintas e quartas séries, com música e com dadaísmo. Quero trabalhar com fotografia e quadrinhos, mas isso serão outros capíltulos. E gente... o resultado está sendo muito bom. Não digo que é fácil, porque entre um aluno que vai pra coordenação e alunas que querem me desafiar, consigo trabalhar com a metade da sala... isso só acontece num oitava blz? Já os menores... é só alegria, porque eles são mais receptivos.

Fiz dois jogos teatrais com as 4 e 5 séries, e eles foram super receptivos. Pensei que seria complicado ... mas não! Como tenho experiência em teatro também, consegui fazer os jogos numa boa. E depois usamos os copos para fazer uma musicalização, e com isso expliquei através da atividade sobre a formação da orquestra, da música, o ritmo e etc.

Com as oitavas fiquei apenas com o dadaísmo... ainda não consegui fazer os excercícios com música por completo. Dei a teoria, já falei das vanguardas artísticas, e fizemos, assim como Tzara, uma poesia dadaísta: sorteio das palavras e montagem na folha pensando nas soluções gráficas. Agora iremos musicalizá-la.

Há ainda muitos alunos das oitavas desinteressados, nem vou obrigá-los e forcá-los a fazerem as atividades, porém já estou mais que satisfeita da conquista que aos poucos, realizo nas salas que antigamente não conseguia nem iniciar uma atividade, e hoje, exatamente hoje, consegui fazer esses exercícios.

Depois colocarei aqui os trabalhos dos alunos.


Só falo uma coisa: o maior problema na educação, são as idéias da família em jogar as responsabilidades em educar nos professores. E a desestrutura familiar dificulta o aprendizado e o trabalho dos professores, estou numa escola ótima, com uma bela estrutura física e pedagógica, com bons professores, mas a falta de respeito e interesse de muitos alunos (não são todos), é grande, e isso cria um cenário triste e medíocre.