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21 setembro 2009

O desenho de Picasso

Com vocês o mestre:

video

Extraído do filme "Mistérios de Picasso", adoro passar esse filme em sala de aula para explicar sobre a linha e o desenho.

18 setembro 2009

A procura de um profissional de flamenco

Gente! Já tenho uma turma mas agora tô sem professor, se alguém souber e puder me indicar alguém, fico muuuuuuuito agradecida e feliz! É pra ontem rs.


Estou contratando um profissional de flamenco pra dar aulas em Caieiras as sexta-feiras. Início imediato.

Pode mandar currículo por e-mail !

15 setembro 2009

Criatividade e criação


Eita mas que assunto polêmico?
Como desenvolver um processo de criação, desenvolver a criatividade nesses tempos, onde o aprendizado também se dá através de imagens, e somos influenciados praticamente, por milhares de símbolos, logos, desenhos, informações... por hora? Pois é, difícil mas não impossível.

Falei sobre a Dona Isabel, o interessante é ver como ela desenvolver uma arte peculiar, original, com técnicas aprimoradas, sem ajuda de ninguém e melhor... sem influência externa. No meu outro blog, o I Live to Dance, escrevi um pouco sobre a criação de um estilo, e vendo esses artistas que sozinhos encontram um estilo e um caminho, todas as teorias de criação são contraditórias.

Iniciemos pela infância. Quem nunca foi repreendido por ter feito algo diferente do que é existe? Lembro de um papai noel que pintei de roxo no pré, ainda bem que a professora não me recriminou... como foi sábia rs. Mas normalmente a criação sempre fica pré estabelecida e todo mundo quer representar o real e assim todos fazem sempre a mesma coisa.

As casas sempre tem o mesmo formato, as cores são sempre as mesmas, o desenho é igual, e dessa forma sempre escutamos dos alunos: não se desenhar! Por que eles esperam desenhar da forma que acham que o desenho é.

Porém, desenho, pintura, em fim, as artes em geral, é muito mais que formas esteriotipadas que são oferecidas à nós. Devem ser desenvovidas essas formas expressivas e individuais em nós, e como podemos fazer isso.

Usarei o livro da Fayga Ostrower " Criatividade e Processos de Criação" - será um resumo, pra quem quer saber mais sobre o assunto, aconselho a leitura, porque ele é ótimo.

A criança age pela espontaneidade e curiosidade, é importante instigar isso na criança, dessa forma ela sempre questionará o que está fazendo, o que fará, a forma que fará e claro, pela curiosidade sempre vai buscar novas informações. o Vitor Lowelfield desenvolver o método expressivo de ensinar arte: deixe a criança experimentar a vontade e a deixe livre para criar. Hoje sabemos que isso é importante até um certo ponto para o desenvolvimento da criança, porém, para ensinar arte é necessário também a aplicação de outros pontos.

Desses fatores, parte-se para uma independência interior, normalna evolução. Quanto mais os pais incentivarem esse processo criativo e artistico, mais a criança ficará confiante e criativa. Ainda ela não possui um estilo, mas possui uma liberdade e sabe o que quer, o que vai fazer e como fazer. Quando chega à puberdade, ai sim chega a crise! Por que entram os conflitos e a procura de uma representação fiel da realidade.

"A partir desse momento, isto é, sob a influência direta de normas culturais e participando dos valores do mundo adulto, vem a tratar-se, realmente, na formulação dos termos da linguagem, de uma questão do estilo".

A criatividade não está ligada à genialidade, aos artistas, às inspirações, da originalidade ou mesmo das invenções. Isso é importante, porque sempre tem em mente que ser criativo parte do artistas, dos inventores e cientistas. Isso é um erro! Porque cada vez mais, a nossa vida contemporânea pede sermos criativos em tudo.
"Formulamos aqui a idéia de que a criatividade se realiza em conjunto com a realização da personalidade de uma ser: da maturação como processo essencial para a criação. Colocamos tanto as premissas como também os critérios de criação em uma possível maturidade do homem. Com sua maturidade o ser humano criará espontaneamente, exercerá a criatividade como função global e expressiva da vida, e como medida de sua gratificação."

Trabalhamos com referências, pesquisas, e auto conhecimento. Usamos o referencial a partir de uma escolha e dele criamos algo novo. Admitindo esse referencial, a pessoa criará com liberdade, e se ela mesma reconhecer seus limites, criará ainda mais com mais liberdade. Isso eu acho instigante! Desde sempre o auto conhecimento é uma grande sabedoria pra qualquer coisa em nossa vida.

"(...)do acatamento às possibilidades reais de cada coisa e de cada ser, à transição contínua, porém contida, de tudo com que se lida, sejam objetos com que se trabalha, a linguagem que se usa, a própria vida que se vá viver. A compreensão de si dá ao homem sua verdadeira dimensão."

Criar é relacionar com precisão e com adequação. E a orginalidade não é critério de avaliação. E isso já faz parte do homem desde que nasce, exercendo seu potencial criador, trabalhando, criando em todos os sentidos, o homem configura a sua vida e lhe dá um sentido.

"Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. E é do mesmo modo necessário."

Banhistas de Paul Cézanne

14 setembro 2009

O Olhar de Matisse

Ontem fomos na Pincoteca ver Matisse Hoje. Um passeio obrigatório pros apreciadores de arte. E ao meu ver a exposição foi muito bem construida, boas escolhas que remetem um pouco da fases da vida e obra de Matisse. Por ser no Brasil, ela está excelente e qualquer um sairá tendo, no mínimo, uma noção do todo. E pra quem já conhece sairá satisfeito.

O que amei, foi que, agora está liberado as fotografias sem flash, como é bom estar na era digital rs, agora as máquinas não estragam mais as obras.


E o olhar de Matisse? ...

Em "Notas de um pintor", assim apresentou seu ideal:

"Sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza, de tranquilidade, sem temas inquietantes ou preocupantes, uma arte que seja, para qualquer trabalhador cerebral, quer o homem de negócios, quer o homem cultivado, um lenitivo, um calmante mental, algo como uma boa poltrona onde ele possa relaxar do cansaço físico"


Com suas cores fortes, explosivas, uma abstração das formas, foi chamado de fera, apesar que sua linguagem expressa o contrário. Será que o olhar de Matisse sob a arte, os objetos, as pessoas seria facilitada? Dizem que sua arte é fácil, eu diria moderna e ousada.

De acordo com Carlos Graieb e Marcelo Marthe:

O historiador galês Raymond Wil-liams certa vez dividiu os modernistas em duas categorias: de um lado estavam os modernistas propriamente ditos – cuja atividade se circunscrevia à busca pela inovação estética radical. De outro, havia os vanguardistas – que também eram movidos por uma agenda política e pela oposição à "ordem burguesa". Matisse foi um modernista puro. Só esteve ligado a um grupo na época do fauvismo – um dos momentos mais fugazes na vertiginosa história dos "ismos" do início do século XX. Dali em diante, ele foi um partido de um homem só. Na única vez em que mostrou interesse por um movimento político, foi para desvesti-lo de tudo que nele era... político. Por volta de 1904, Matisse deixou-se inspirar por ideias anarquistas que lhe foram apresentadas pelo amigo Paul Signac. De tudo o que os anarquistas tinham a dizer, contudo, só lhe interessou a ideia de um futuro utópico, de liberdade e beleza. Nada de destruição da ordem social – muito menos por meio da violência. Essa "alienação" o tornou alvo da esquerda. No fim dos anos 50, comunistas franceses prometiam, uma vez que chegassem ao poder, transformar uma capela decorada por Matisse, na cidadezinha de Vence, num salão de danças. O pintor, a propósito, era ateu – as religiões também não o atraíram. Seu único absoluto foi mesmo a arte.

Matisse é, de fato, acolhedor. Livres de qualquer cerebralismo, suas telas são sempre agradáveis aos olhos. Mas isso não significa que seu trabalho seja "fácil", na acepção pejorativa do termo. Da mesma forma que uma bailarina transmite graça e leveza no palco sem que ninguém note os esforços excruciantes a que seus músculos são submetidos, por trás de suas obras há sempre virtuosismo e elaboração. A exposição em São Paulo contém inúmeros exemplos disso. Vindas do Centro Georges Pompidou, em Paris, as telas Interior em Nice, a Sesta (1922) e Odalisca com Calça Vermelha (1921) são uma amostra de sua obsessão detalhista com as texturas de tecidos e tapeçarias – uma herança de sua região natal, berço de grandes tecelões. O Torso Grego (1919) – uma das principais da exposição, pertencente ao acervo do Masp paulistano – evidencia suas reflexões incessantes sobre as questões da cor e do espaço. Matisse era incansável ainda na pesquisa de técnicas e materiais. Num período em que ficou de cama por causa de sua enfermidade intestinal, ele pedia a suas modelos e assistentes que pintassem pedaços de pano e papel em cores que ele mesmo preparava, em seguida os recortava na forma de figuras como andorinhas e conchas e os pregava em suas telas e livros ilustrados. O pintor considerava que uma obra só estava completa quando transmitia com precisão as sensações que ele desejava exprimir. A tela Natureza-Morta com Magnólia (1941) – que afirmava ser sua favorita – é um testemunho de quanto isso poderia ser árduo. Matisse a refez onze vezes.


09 setembro 2009

Simplicidade na arte

Quem disse que precisa de formação e diploma pra fazer arte?
Arte exige diciplina, dedicação, estudo, gosto e muito, mas muito trabalho. Só assim o artista poderá vencer seus desafios, encontrar seus caminhos, estilo e fazer arte na sua totalidade.

Disso, agora citarei uma artista brasileira, mineira, que mora muito longe de tudo, e tem um trabalho magnífico. A vi agora na Belas Artes, pois confesso que não a conhecia. E fiquei admirada.

Como vocês ISABEL MENDES DA CUNHA, ou melhor, a Dona Isabel Nunes, diretamente do Santana do Araçuaí no Município de Ponto dos Volantes, Vale do Jequitinhonha-MG

Dona Isabel (Isabel Mendes da Cunha) (1924- ) é certamente a mais famosa artesã que trabalha com barro no Vale do Jequitinhonha. Exerce o seu ofício, "mexe com o barro", no pequeno vilarejo de Santana do Araçuaí no Município de Ponto dos Volantes.
Filha de louçeira, que possuía um saber ancestral obtido de seus antepassados indígenas, cresceu vendo a mãe trabalhar.
No início sua relação com o barro aconteceu como todas as crianças do interior. Na infância modelava com argila objetos para as suas brincadeiras. Foi aí que surgiu o sonho de fazer bonecas que só se materializou muitos anos após, já na idade adulta.

Já casada e depois viúva, Dona Isabel, no esforço de criar seus filhos, fugindo das dificuldades de ganhar o pão de cada dia no trabalho na roça, passou a produzir potes, travessas, figuras de presépios, que eram vendidas nas feiras da região.
Nesta época suas criações se destacavam em meio às outras graças à sua inventividade e o capricho na modelagem e decoração das peças.


Muitos anos após, quando foi “descoberta” já com 44 anos, em 1978, é que surgiram suas mais famosas criações - as bonecas - que hoje tem fama no Brasil e no exterior.
Como bonequeira criou imagens representando o povo da região em noite de gala, especialmente mulheres, em diversas situações especiais do cotidiano: Noivas vestidas de branco com arranjos e buquês, noivos elegantemente vestidos com terno e gravata, madrinhas, grávidas amamentando, preparativos para festas, procissões etc.

Algumas das peças chegam a medir de 1,5 metros de altura. São minuciosamente enfeitadas, decoradas. As mulheres são apresentadas com olhos, cílios, lábios e unhas pintadas, e penteados impecáveis. Todas portam colares, brincos e outros enfeites. Sonhos de glamour de um povo sertanejo sofrido que vive numa das mais pobres regiões do país, assolada regularmente por secas e enchentes.

O acabamento das peças (pintura) é feito usando barro da região "água de barro" de variadas tonalidades, muitas vezes misturados entre si, para a obtenção de outros tons, uma espécie de engobe. O resultado final é uma superfície lustrosa, acetinada, quase sem imperfeições. Em nenhuma momento se aplicam esmaltes (vidrados).
Os trabalhos produzidos por Dona Isabel, ao contrário do que acontecia no início de sua carreira, são atualmente bastantes valorizadas. Uma boneca de maior tamanho pode chegar a custar milhares de reais, e o atendimento obedece a uma fila de espera.

As peças são modeladas manualmente, com a ajuda de toscas ferramentas, sem o uso do torno de oleiro, com barro de boa qualidade abundante na região, depois de sovado e peneirado. O alisamento da superfície é feito usando sabugo de milho e de outros modos.
As peças são feitas em partes e depois montadas, juntadas. Cabeças, pálpebras, olhos, lábios, boca, nariz, orelha e cabelos.

As queimas, monoqueimas, são realizadas em rústicos fornos a lenha abertos, cuja técnica está plenamente dominada graças ao longo período de prática. Os trabalhos são colocados, na parte inferior, sobre cacos e peças defeituosas. Para evitar manchas há especial cuidado para que as peças não encostem uma nas outras ou na parede do forno. A parte superior do forno é coberta com latas, cacos e peças com defeito visando manter a temperatura estável.

O esquente é feito durante as primeiras horas, lentamente, para que a evaporização da água ocorra sem sobressaltos. Em seguida é o momento de colocar mais lenha para aumentar o fogo e observar, nas horas seguintes, a cor da chama e das peças. Só após o lento esfriamento é possível verificar o resultado da queima.

Dona Isabel criou um estilo próprio de trabalho e repassou o seu conhecimento para todos que a cercam formando uma verdadeira escola de cerâmica. Vários fatores têm influência no resultado final. A escolha do barro, sua preparação e manuseio, a modelagem, o acabamento e pintura, e a queima.

Integram a comunidade de artesãos de Santana do Araçuaí, a maioria mulheres e poucos homens, amigos e parentes (filhas e filho, genro e netas) de Dona Isabel. Maria Madalena (filha), Amadeu casado com Mercina (filho e nora), Glória Maria casada com João Pereira de Andrade (filha e genro).

Muitos estão reunidos na Associação dos Artesãos de Santana do Araçuaí que promove Oficinas e onde os artesãos comercializam suas peças: bonecas de variados tamanhos, galinhas, moringas, flores, potes, vasos, figuras de presépios, l louça para feijoada e muito mais. O telefone de Dona Isabel e da Associação é o mesmo: 0xx33 3733 3004.

Fotos: Leonardo Alvim
Fonte: Vídeo Da Terra, A Alma. Autores Leonardo e Heloisa Alvim
Pesquisa e texto: Renato Wandeck
Referências Bibliograficas:
- Revista Palavra. Nº 14, junho 2000.
- Casa Claudia-Artesãos do Brasil. Ano 24 nº 464, 2000
- Mestre Isabel e sua Escola-Cerâmica no Vale do Jequitinhonha
Org. Marina de Mello e Souza-Rio de Janeiro:Funarte,CFCP,1995.
Sala do Artista Popular n°59.
Catálogo da exposição realizada na Sala do Artista Popular de 21/11 a 30/12 de 1995
Museu do Folclore Edson Carneiro
- Cerâmica de Santana do Araçuaí
Pesquisa e texto de Maria Helena Torres-Rio de Janeiro: Funarte,CNFCP,2002
Sala do Artista Popular n° 99
Catálogo da exposição realizada na Sala do Artista Popular de 31/01 a 10/03 de 2002
Museu do Folclore Edson Carneiro