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25 maio 2011

A linha no desenho e design

Design = desenho? Ou desenho = design ?
Nenhuma, nem outra, mas nas duas linguagens usamos o elemento hiper importante que é a linha. Que tal usá-la de forma criativa, inovadora?

Hoje estou no momento de pesquisa da minha linha ao desenhar, procurando usar as linhas infinitas do Picasso e as precisões de outros artistas. E se olharmos ao nosso redor, somos rodeados por linhas,e infelizmente são mais linhas retas que fazem parte do nosso cenário.

No oriente, por não poderem fazer arte figurada, sua arquitetura e sua arte são mais sofisticadas, ousadas e trabalhadas.

E como aplicar essa LINHA, no meu projeto de design? Pode aplicar em uma faca diferenciada de embalagem, numa diagramação não - canônica, num enquadramento diferente, num corte e disposição das fontes ... na criação de uma textura ou o próprio desenho do projeto.

A dica de estudo, leitura é do livro (que deve ser de cabeceira) "Novos Fundamentos do Design", de Ellen Lupton e Jennifer C. Philips. Logo abaixo algumas experimentações das aplicações de linhas e algumas inspirações artísticas:



Escrever através de linhas


Uso das linhas para criar textura


Linhas para compor

Uma forma sem contorno, de Matisse

Linha infinita de Picasso

Diferentes linhas para compor, desenhar de forma concreta e infinita, linhas também para preencher, trabalho de Juliana de Moraes

O que falar de Paul Kleen...

Composição de Sandra Cinto

Por que não pensar no desenho e na linha em em outra dimensão? Edith Derdik





14 setembro 2009

O Olhar de Matisse

Ontem fomos na Pincoteca ver Matisse Hoje. Um passeio obrigatório pros apreciadores de arte. E ao meu ver a exposição foi muito bem construida, boas escolhas que remetem um pouco da fases da vida e obra de Matisse. Por ser no Brasil, ela está excelente e qualquer um sairá tendo, no mínimo, uma noção do todo. E pra quem já conhece sairá satisfeito.

O que amei, foi que, agora está liberado as fotografias sem flash, como é bom estar na era digital rs, agora as máquinas não estragam mais as obras.


E o olhar de Matisse? ...

Em "Notas de um pintor", assim apresentou seu ideal:

"Sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza, de tranquilidade, sem temas inquietantes ou preocupantes, uma arte que seja, para qualquer trabalhador cerebral, quer o homem de negócios, quer o homem cultivado, um lenitivo, um calmante mental, algo como uma boa poltrona onde ele possa relaxar do cansaço físico"


Com suas cores fortes, explosivas, uma abstração das formas, foi chamado de fera, apesar que sua linguagem expressa o contrário. Será que o olhar de Matisse sob a arte, os objetos, as pessoas seria facilitada? Dizem que sua arte é fácil, eu diria moderna e ousada.

De acordo com Carlos Graieb e Marcelo Marthe:

O historiador galês Raymond Wil-liams certa vez dividiu os modernistas em duas categorias: de um lado estavam os modernistas propriamente ditos – cuja atividade se circunscrevia à busca pela inovação estética radical. De outro, havia os vanguardistas – que também eram movidos por uma agenda política e pela oposição à "ordem burguesa". Matisse foi um modernista puro. Só esteve ligado a um grupo na época do fauvismo – um dos momentos mais fugazes na vertiginosa história dos "ismos" do início do século XX. Dali em diante, ele foi um partido de um homem só. Na única vez em que mostrou interesse por um movimento político, foi para desvesti-lo de tudo que nele era... político. Por volta de 1904, Matisse deixou-se inspirar por ideias anarquistas que lhe foram apresentadas pelo amigo Paul Signac. De tudo o que os anarquistas tinham a dizer, contudo, só lhe interessou a ideia de um futuro utópico, de liberdade e beleza. Nada de destruição da ordem social – muito menos por meio da violência. Essa "alienação" o tornou alvo da esquerda. No fim dos anos 50, comunistas franceses prometiam, uma vez que chegassem ao poder, transformar uma capela decorada por Matisse, na cidadezinha de Vence, num salão de danças. O pintor, a propósito, era ateu – as religiões também não o atraíram. Seu único absoluto foi mesmo a arte.

Matisse é, de fato, acolhedor. Livres de qualquer cerebralismo, suas telas são sempre agradáveis aos olhos. Mas isso não significa que seu trabalho seja "fácil", na acepção pejorativa do termo. Da mesma forma que uma bailarina transmite graça e leveza no palco sem que ninguém note os esforços excruciantes a que seus músculos são submetidos, por trás de suas obras há sempre virtuosismo e elaboração. A exposição em São Paulo contém inúmeros exemplos disso. Vindas do Centro Georges Pompidou, em Paris, as telas Interior em Nice, a Sesta (1922) e Odalisca com Calça Vermelha (1921) são uma amostra de sua obsessão detalhista com as texturas de tecidos e tapeçarias – uma herança de sua região natal, berço de grandes tecelões. O Torso Grego (1919) – uma das principais da exposição, pertencente ao acervo do Masp paulistano – evidencia suas reflexões incessantes sobre as questões da cor e do espaço. Matisse era incansável ainda na pesquisa de técnicas e materiais. Num período em que ficou de cama por causa de sua enfermidade intestinal, ele pedia a suas modelos e assistentes que pintassem pedaços de pano e papel em cores que ele mesmo preparava, em seguida os recortava na forma de figuras como andorinhas e conchas e os pregava em suas telas e livros ilustrados. O pintor considerava que uma obra só estava completa quando transmitia com precisão as sensações que ele desejava exprimir. A tela Natureza-Morta com Magnólia (1941) – que afirmava ser sua favorita – é um testemunho de quanto isso poderia ser árduo. Matisse a refez onze vezes.