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07 julho 2009

Da universalidade da dor de amor à subjetividade da arte


Carta de rompimento enviada por Greg Shephard


Sophie

Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito. Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência.

Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as “outras”, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.

Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e “generoso”, se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu “desassossego” se dissolveria nela para encontrar você.

Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente.

Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita.

Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro.

E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único. Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.

Cuide de você.

X


Uma exposição bem interessante no Sesc Pompéia: Cuide De Você

05 julho 2009

O Bailado de Flávio Carvalho

"A psicánalise matou o Deus"
E essa peça performática, experimental, com direção de Roberto Lage e atuações do Núcleo Experimental Sesi - Acaba assim, com esse refrão num sambinha.
Vejam!
É gratuito, é bom, é divertido, é inteligente, é sacada, com boas atuações, com boa trilha sonora e o trabalho corporal dos atores está muito bom. E minha amiguinha da Belas Artes está no elenco, a Fabiana S. - e atua muito bem, por sinal.
"Marcada pela ausência de diálogos, a montagem surgiu da proposta do diretor de resgatar o universo do artista fluminense Flávio de Carvalho, radicado na capital paulista.O grupo usou como ponto de partida a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933, do texto teórico A Origem Animal de Deus e do artigo A Cidade do Homem Nu.Em torno desse eixo condutor aparecem as famosas experiências do artista, as pinturas e suas instigantes reflexões acerca do homem moderno, dentre as quais, a crença de que há três fatores que valem a existência: medo, fome e sexo."

Mais informações: Bailado

Sobre Flávio de Carvalho (1889-1973):

Foi um dos grandes nomes da geração modernista brasileira, atuando como arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor e filósofo.
Tendo estudado na Inglaterra, e pertencente à segunda geração de modernistas de São Paulo, Flávio Resende de Carvalho desenvolveu suas múltiplas atividades, como arquiteto, fundador do Teatro Experiência, em 1933, organizador do 3º Salão de Maio, em 1939, fundador e animador do Clube dos Artistas Modernos, que reunia artistas para conferências, debates e exposições.

Tendo uma personalidade singular e isolada por seu próprio temperamento, Flávio de Carvalho contribuiu, não apenas como poderoso animador do meio artístico paulista dos anos 30,como por suas audaciosas experiências.

Fonte: Museus Brasileiros, vol. 6, Edição Funarte, Rio, 1982.

03 julho 2009

De arrepiar!

Um corpo
Possibilidades mil
Uma mente
Sonhos infinitos
Expressão
Imprimir, experimentar
Criar, expressar...
Movimentar
Dizer, atuar
Ser...
Dançar!

Para quem não conhece, um pouco da Pina Bausch!

02 julho 2009

Adeus Pina Baush

Coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch morre aos 68 anos
Dançarina era conhecida pelo estilo expressionista único de dança.Segundo comunicado, ela morreu de câncer cinco dias após diagnóstico.

Que perda!

Iria escrever sobre outra coisa, mas quando vi essa notícia mudei de idéia, porque Pina... foi fantástica! Desenvolveu um jeito único de dançar : a Dança - Teatro, que teve início com Laban e seus dicípulos - e ela sempre contou histórias de sua vida, de outros e de diversos povos em suas coreografias.

Isso é um super resumo... vale a pena ler os livros... inclusive, como ela misturava os universos feminino e masculino em suas criações, o Almodóvar interessou-se e a inseriu em seu filme: Fale com Ela.

Ela foi a própria expressão, a própria dança, o movimento puro que vem da alma e transcende o mundo carnal e efêmero.


Em 2007, Pina Bausch foi agraciada com o Prêmio Kyoto e, em 2008, com o Prêmio Goethe. Em 2008, o cineasta Wim Wenders estava preparando documentário sobre ela.


Produções
"Komm tanz mit mir" ("Vem, Dança Comigo", 1977)
"Keuschheitlegende" ("Lenda de Castidade", 1979)
"Viktor" (1986), ou "Café Muller".
"Rough Cut" (dedicada à Coréia do Sul)

"Água" (2001, é fruto da passagem da coreógrafa pelo Brasil)



Escrever [e dançar] é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se me lembrasse. Com um esforço de memória, como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.
Clarice Linspector

30 junho 2009

A Dança

O que seria da vida sem poesia? Adoro! Um pouco de Neruda pra vocês:

Não te amo como se fosse rosa de sal,
topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente,
entre a sombra e a alma..

Te amo como a planta que não floresce
e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra..

Te amo sem saber como, nem quando,
nem onde, te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito
é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda